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segunda-feira, 11 de março de 2013

Metalinguagem: Animagrafia


Aqui, neste pequeno acervo
De pergaminhos empoeirados,
Estão escritas muitas histórias.

Nestes papiros amarelados
Jogados em prateleiras
Toscas de barro escuro,
Há marcas de muitas almas.

Nestes papéis espalhados
Há pessoas repletas de amor,
Anjos belíssimos que tentam homens,
Corvos assustadores que falam,
Humanos puros que sabem amar,
Há chuvas, frios imortais e lágrimas.

Nos pergaminhos estão contidos
Amores, desamores, ilusões
Guerreiros, sábios e loucos
Vampiros que se alimentam de sexo e
Mortais que caminham para aprender.

Aqui, neste pequeno grande acervo,
Muitas histórias foram contadas
Por muitas distintas almas.
Almas velhas e novas...
Almas descobertas ao acaso.

Aqui, neste pequeno acervo,
Um mundo foi formado.
O mundo sem um deus poderoso,
Mas de humanos onipotentes.

Neste mundo, criado por uma
Mente estranha e uma alma
Que ansiava por algo mais,
Estão um sem número de
Coisas estranhas e amadas...


* Imagem retirada de http://klimo.deviantart.com/art/butterfly-blue-27394250 *

domingo, 10 de março de 2013

A Ganância Humana & O Fim Dos Tempos





A ganância humana destruiu tudo o que tínhamos
você não consegue ver?
Onde foi parar o amor?
Tudo o que tínhamos se tornou ódio...

A ambição pelo poder
gerou o fim da vida
e gerou o fim
das nações...

O respeito e a verdade
já não são mais nossos valores,
e sim,
tudo está sendo exterminado.

Nossas florestas, nossos bosques,
nossos mares, nosso ar,
nossos ventos, nossos animais,
nossos... Nossos?

O que aconteceu
com todas essas coisas?
Você não vê?
Você quer ver?

Quer ver
seu filho nascer morto?
E tudo abalado
pelas guerras?

Por que vocês fazem isso?
Tudo pelo poder...
maldito poder
que logo virará pó.

Nenhuma geração
irá lembrar
a vida
se extinguirá...

Estamos no fim,
estamos sendo
dominados,
controlados.

Só vocês não conseguem enxergar
que os humanos talvez sejam
a pior espécie que já existiu
em todos os tempos...

Seus carros,
suas indústrias,
sua imundície,
seus atos de crueldade
seus pensamentos...

Nada vai restar,
nem paz ou amor
para ser semeados,
senão nossas cinzas.


A Terra
não aguentará,
a camada de ozônio
também não.

E agora, é tarde.
Como reverter essa situação?
Nossas atitudes drásticas
tomaram o topo da nossa ignorância...

"O humano hoje é evoluído",
ele pensa assim,
convictamente,
mas não é.

Um ser tão evoluído...
Porque então prejudicaria o lugar onde vive?
Porque o luxo tomou conta
das massivas populações,
e o egoísmo também.

Ninguém quer dar água,
ninguém quer dar nada,
tudo o que querem é ganhar dinheiro
e mais dinheiro...

Países criando monstros nucleares,
e queimando nossas vidas,
e quem sofre por isso?
Quem sofrerá por isso?

Quando tudo o que temos acabar,
veremos que dinheiro
é só mais um detalhe
uma passagem.

Quanta hipocrisia!
Pessoas matando,
enganando,
traindo... roubando.
Aqui virou o inferno...
O gelo sumindo,
a água doce secando
E o que te importa?

Você tem água,
casa
ar-condicionado,
carro e roupas,
e mais com o que se preocupar.

Você não é o culpado, não é?
Então porque continua jogando lixo no chão?
"É só um papel de bala",
hoje é um papel de bala no chão,
amanhã é tempestade.

Amanhã, amanhã, amanhã.
Amanhã é infecção,
doença,
é o ópio.

Nós destruimos a vida
destruimos relações
crianças pequeninas
corações.

Ninguém se importa,
tudo está sendo poluído
desde as famílias
aos céus.

Estamos num desperdício,
num mar infindo,
e o ventre da Terra
está se diluindo.

A fênix voa em direção ao universo
buscando um novo amanhecer
será que um dia nós veremos
o Sol voltar e renascer?

quinta-feira, 29 de março de 2012

Blue memories



"Esta noite não pude dormir, o chão do quarto estava duro, chorava... Pensava."

Lembro-me de quando corria para te encontrar, nas tardes de inverno em que os rios congelavam - feitos os laços do seu coração.
Batidas aceleradas, num ritmo distinto de nossa canção.
Enquanto eu esperava por um abraço seu - você caía sobre o mesmo chão em que eu estive.
Nostalgia!
Recordo-me minuciosamente as tardes de inverno, em que seu corpo caloroso aquecia o meu - tão frio.
O chá das nossas manhãs juntos...
Só queria poder te levar aos campos de mel para que nós pudéssemos saborear do grande cinza do céu - salmão, dos mortos.
Meu pequeno botão...
Como poderíamos imaginar o agridoce que as nossas tardes se tornariam?
Seu jeans rasgado e seus cabelos contra o vento, contavam-me uma história.
Agora, tenho que me acostumar com meus dias e noites - comigo.

"A lágrima corria, como o sangue que a faca fez, como corre, não se engole, e a solidão comanda... No vinho que hoje bebo, até o último gole."

sábado, 7 de janeiro de 2012

Receita - O Canto das Uma da Madrugada


Tragédia para curar os corruptos.
Glória para os justos.
Maquiagem para esconder um amor sádico.
Rosto lavado para mostrar as cicatrizes de bolhas.
Ódio para reprimir a verdade.
Amor para crucificar a violência.
Mundo para a morte.
Mortos para o mundo.
Passado para atormentar o futuro.
Futuro para estragar o presente.
Crente para condenar o descrente.
Ateu para interrogar sem medo de se mostrar.
Vício para destruir.
Fanatismo para capturar tolos.
Estúpido para servir de crítico.
Plástico para ser descartável.
Inveja para corroer.
Admiração para vivificar.
Inimigos para se ter poder.
Amigos para se poder perturbar.
Burrice para existir.
Inteligência para pensar.
Sabedoria para ser.
Cópia para moda.
Unicidade para pouco.
Espírito para se ver.
Carne para sentir e querer.
Pornografia para arruinar.
Erotismo para diferenciar.
Sexualismo sem nenhum rumo.
Vivo para seu submundo.
Sangue para matar a vontade.
Pele para apodrecer.
Verme para assumir.
Um pouco muito para dois.
Engano para durões.
Coragem para tentar.
Lábios para contar.
Fofocas para se sentir bem.
Fobias para se sentir mal.
Música para purificar a mente.
Escrita para encontrar o dom.
Pseudo para ser falso.
Mentiroso para achar.
Duvidoso para falar.
Cismado para ser chato.
Compreensão para bons.
Brasileiro para ser feito gente.
Haitiano para passar fome.
Americano para criar armas.
Asiático para evoluir.
Destruição da natureza para acabar.
Auto-destruição para se lamentar.
Fã para adoecer.
Ídolo para depressão.
Cultura para aprender.
Colégio para aprisionar.
Paraíso para inventar.
Inferno para queimar.
Uma pitada de tudo um pouco,
Para se vê,
Neste poço,
Em o que que dá.
E pobres pessoas misturadas,
Um pouco de veneno para relevar,
Suando em meio de tantas almas,
Que revelam o nosso lar...

domingo, 27 de novembro de 2011

Face to face


Pessoas causam-me ojeriza!
Sim, quase todas.
Se fazem do que não são,
e fingimentos, à toa, são.

Pessoas causam-me ojeriza!
Hipócritas, são vãs.
FALSAS! Dar-se-ão por queimarem
no fogo
do inferno [...]

Da sua solidão
ausência do que as modifica,
nada pode ser encontrado nessas
pessoas imóveis, convictas
no modismo
loucas!

Se vendem por um troco
qualquer! Tem repugnância
do diferente, pois não entra em seu
mundo "paralelo".

E quando se vê, se morre
no meio de tanta hipocrisia,
das peles - mascadas, pisadas, feito
chiclete na boca de criança.

Pessoas... sim,
Me causam ojeriza!
nostalgia.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Hurt


"Do you see what we've done? We've gone and made such fools of ourselves."

Quanto tempo resta? Como decidir?
O que fazer? Para onde ir?
No meio dessa multidão tão sufocante,
Para onde correr?
Nesse meu mundo tão frio,
O que pode se encaixar?
Você costumava saber,
Eu costumava saber.
O que acha que pode estar havendo?
Você não pode ver?
Esse véu todo está me matando,
Sim, tudo está se movendo...
E aqui dentro, só restam as sobras...
Do meu orgulho ferido.
Que lugar visitar?
Quem vai te acolher
Quando mais precisar?
Você terá um lar?
Quem vai te abrigar?
Para onde vamos, quando
Estivermos sozinhos?
Mas, por acaso, já não
estamos?
Todos os dias,
em meio à multidão...
No vazio...
Na frente do espelho,
Sem as mãos... um do outro.
Como ganhar essa guerra que
já foi perdida?
Como decidir?
Caminharemos? Como? Decidiremos?
Enquanto isso?
Teremos... uma noite e mais um dia
para morrer.

domingo, 8 de maio de 2011

Inside



A estaca fora cravada
porém, no meu seio
eu já não sinto mais a dor,
na verdade,
eu já não posso sentir mais nada.
Não acredito que o céu
seja o limite,
e o meu limite chegou.
Sobre as águas verdes
irei eu... mergulhar
o meu corpo perfurado.
Meu resto imundo
- que ele fez em mim,
se espalha
agora pelo véu.
Meu benigno inferno,
Minha benigna morte...
o Renascimento
- da eterna escuridão.
Caminhando,
de volta para casa,
para meu canto sombrio,
doentio...
imóvel.
Sem meus antigos sentimentos,
completo vazio.
O enterrado,
repousa agora na
sua tumba.

sábado, 7 de maio de 2011

Welcome to my hell



Derramei gotas... sangue
por toda a casa.
Meus braços esfaqueados, torturados...
Meus olhos... arroxeados, fracos.
Minha morte estava
acontecendo aos poucos.
Essas lágrimas, caindo
por esta face...
triste, são minha verdade.
Dias e noites - ambos perdidos
no meio do meu conto vazio...
e mais uma vez aqui,
acordado, nessa insônia.
Reprimindo vontades...
Curvando-me de tudo...
e todos.
Apesar da força...
da voracidade...
nada me agrada mais.
Esse inferno corrupto.
Esses sons mesclados,
e meu corpo cortado...
dilacerado.
Minha mente se esqueceu,
eu esqueci...
da minha vida,
se é que um dia... eu a possuí.

sábado, 30 de abril de 2011

Dark Temptation



Ele é o ser negro da noite,
Ele é o ser dos olhos mais tristonhos.
Sua pele branca e alva,
É a obscuridão, são as trevas...
Seus lábios pintados de preto,
Tão... atrativos,
Para a morte.
O sangue que se derrama,
sobre ele - me desatina.

Ele é a alma noturna que 
se espalha sobre o céu cinza.
Ele é a profundeza
dos sete mares - escondido
atrás das árvores das
selvagens florestas.
Seu corpo, tão desejável...
Ele é o anjo dos meus sonhos
e de - meus pesadelos.
Sua face gravada em palavras
poucas... em minha mente.
Ele é o doce pecado,
o querer imperdoável.
O desejo proibido,
Fruto envenenado...
É todo o prazer, a luxúria,
a lágrima contida,
sobre os seus olhos fechados.
Ó, meu belo único,
exorciza o demônio... que há
em mim.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

If you know



Se você sabe o que eu quero, sabe o que eu pretendo. Se você sabe o que fazer, me diga, por quê você não pode me entender? É assim, tão difícil? Amor, eu não posso fazer isto por nada, mas, se eu tivesse você, eu faria. Eu quero ter você esta noite, e eu não farei nenhuma promessa para não tocá-la. Porque você sabe, eu quero todas as partes de seu corpo, sim menina, você anda me enlouquecendo. Mas, você sempre corre de mim depois, você não acredita no que digo, e isso me deixa pra baixo. Mas, você sabe também que o que eu quero é você, ei, você não pode ver? Minha doce menina, deixe-me te tocar. Você é a única, eu prometo. Era tudo triste, antes de você entrar na minha vida, e abalar o meu mundo. Tudo o que quero, você ainda sabe. E sim, você não quer ver, realmente. Sim, menina. E com uma arma, eu poderia me matar. Em seus olhos, e você sabe que isto é verdade.
"No love, no glory."

domingo, 10 de abril de 2011

O Infinito do Sonho



Era uma tarde de inverno, de céu cinza. Nós estávamos em um jardim, onde os pássaros azuis voavam livremente, e a grama molhada pela chuva, que fracamente caíra sobre ela. E o sol por detrás daquelas nuvens, era fraco - o seu calor não podia ser sentido.
Eu me assentei debaixo de uma árvore, e você, minha pequenina, se deitou em meu colo - de modo tão calmo e apaziguante - o que me causou sensação prazerosa. Eu fazia carícias em seus cabelos, enquanto você me contava os seus sonhos. Eu percebi o medo em seus olhos - não sabia a causa daquilo, mas era bonito, enquanto você me mostrava um sorriso leve, e resplandecia sobre mim.
Estava te adorando. Adorando aquela tarde... Foi maravilhoso! Era como se uma cascata de sonhos doces, estivesse sendo bordada. E aquele vento forte - que se acalmava de minuto em minuto, trazia um suspiro, um cheiro de flores e suas pétalas - que dançavam junto ao vento.
Você naquele casaco, estava esquentando minhas pernas. E a noite se aproximou, fez nós dois adormecermos feito dois anjos - ou não, debaixo daquela árvore. E logo, de manhã, tão cedo - você ainda em meu colo, despertamos. Fomos caminhar por aquele jardim. Você segurava as minhas mãos, e me guiava sobre aquele sonho infinito.
Nos assentamos naquele banco antigo do jardim - quando o tempo pareceu ficar mais escuro, o clima esfriou, não! Não era noite novamente. Continuava o dia de manhã - mas, obscurecido. E o vento levou folhas pelo jardim à fora. Da distância, víamos, algo aconteceu em nosso interior.
Você se achegou em mim, e pôs sua cabeça em meus ombros. E ficamos observando o céu e seu cinza, durante pouco tempo. Quando de repente, você virou para mim, e, olhando em meus olhos - ficou contemplando o brilho, por dentro. Nós nos concentrávamos um no outro - era um instante quase - ou melhor, perfeito.
Quando rapidamente, eu senti estar queimando com você.
Nossos olhos, nossas faces, nossos lábios - na mesma direção, se aproximando. Quando finalmente - minhas pálpebras se selaram, juntamente às suas, e nossos lábios se encontraram, em profunda sintonia. Eu estava entrando em você, e você me possuindo lentamente - aquele beijo tão doce e tão quente. Nós ardíamos.
Suas palavras foram as seguintes: - Por favor, se lembre de mim.
E as flores, voaram... Nossos lábios desejando um ao outro.
Nós dois, já estávamos conectados, compartilhando de - um.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

The Beauty and the Beast II



(E sobre o céu noturno, a besta chora pela bela, que jamais terá... Suas lágrimas se contraem, em um grito pesado dentro de si.)

E você, minha bela Christine... Eu queria poder fazer alguma coisa.
Enxugar sua tristeza também, não seria o suficiente. Talvez, fosse nada, mas, quem sabe ajudasse.
Ó, minha pequenina, eu caminhei por milhões de estradas até chegar aqui.
Não hei de lhe implorar por uma nota de seu amor, não hei de cobrar.
Deite em cima de meu colo, te darei carícias.
Você não iria tremer, nem temer?
Que bela gostaria de receber o carinho de uma fera? E se eu ousasse...
Christine, minha amada, desde o princípio, que o Mestre criou estes tais seres, como os céus e as terras,
até o final dos tempos... O meu amor corroído, tentando sobreviver... O mesmo, vivera desde o sempre.
Só mais um dia, para provar, sem noção do tempo percorrido até aqui, a besta dentro de mim, cresce repentinamente, e morre solitária, ainda em seu conto.
Minha Bela, Minha Christine. Minha, não minha... Minha, em meus sonhos imortais.
Você notaria alguma vez? O óbvio... Eu ainda te amo!
Meu fruto mais uma vez está se desmanchando, pelo fato crítico.
Ó, se ele desabrochar... Se acabar, em cima de mim, você estaria lá?
Christine, sobre o seio de minha amada, desejo eu repousar.

"Não posso trazer tudo aqui nestas linhas brancas, mas, caberá um coração, e valerá por uma vida."

quinta-feira, 7 de abril de 2011

The Beauty and the Beast


Meus olhos morreram.
O brilho dos teus, se desvaneceu para mim.
Minha pele não passa de um fardo, o meu amor, se corrói.
Não! Só volte, quando eu for dormir.
Não quero acordar ao teu lado.
Você, a bela indefesa, e eu, a besta atrás do matagal espinhoso.
Não use-me! Não hei de lhe servir!
Seu prazer, sua luxúria, seu pecado.
Desvende essa alma pura, minha bela Christine.
Não me aflija no leito de meu passamento.
E não atire em minha sexualidade.
Uma bela jamais teria afeto por uma besta.
Mas, você me amaria, antes do cair da última pétala da rosa?
As lágrimas da fera, fluem sobre o seu conto solitário.
Seu pecado, está contaminando o meu fruto.
Sobre o céu noturno, hei de perecer.

"Christine, o tempo fora rasgado. E agora, sobre o templo,
só restam - eu e você."

sábado, 2 de abril de 2011

: ( :



Você se lembra?
Eu costumava gritar pelo seu nome.
Implorando para que você me ouvisse.
E você fingiu, mas de nada adiantou.
Porque eu sempre soube que você era apenas uma máscara.
E eu com sentimentos tão distantes...
Bem lá dentro de mim se encontra a escuridão?
E eu consigo me olhar no espelho, negando tudo o que fui.
Mas uma lágrima ainda está contida, esperando para cair de meus olhos.
Porém, acho que não mais. Eu te matei aqui dentro.
E saí de tudo isso, com apenas este maligno sorriso.

terça-feira, 29 de março de 2011

Innocence of the children



Nosso amor fora jogado no jardim do Éden, e a serpente mais uma vez nos sufocou.
Provamos do fruto proibido; o bastante para sermos não imunes.
Eles nos olham maldosamente... E a nossa juventude foi perdida há muito tempo atrás.
Eles nos tiram como seres sem alma... E nós estamos jogados no meio do nada, desde o dia que chegamos aqui.
Dois virgens que se confiam. Duas crianças que se consolam.
No olhar perdido, procurando o dia, encontramos mais graça na noite.
Vagando pelas vastas ruas desertas, nós perdemos o que tínhamos de melhor?
Nós éramos apenas duas feras sem sentimentos?
Porque somos os últimos a sermos acreditados?
Mas nos confiamos tanto... Por quê?
- Uma criança vê a verdade da outra, e eu vejo em você, o que ninguém mais pode ver.
Desvanecemos, enfraquecidos, estamos em um inverno infernal tão frio, quanto o nosso interior.

"Meu menino, te levarei para longe. Para o mar escondido atrás da areia. Seu choro será enxugado atráves da tempestade. E essa chuva mesmo assim, não sugará os nossos corpos. Estaríamos juntos inocentemente, meu menino. Ó, se eu houvesse mais um dia."

domingo, 27 de março de 2011

Nothing


" Muitos preferem sentir dor, do que não sentir nada. Eu, prefiro este vazio que em nada os comove. "

Sol - Enfraqueça os meus olhos todos os dias, para que eu não possa mais enxergar esta imensidão.
Chuva - Molhe meu corpo nu, a cada instante, para que eu possa me sentir mais limpo.
Vento - Leve essas lembranças torpes, para que eu possa ser claro novamente.
Lago - Definhe essa tristeza que me parece ser não passageira.
Reza - Faça esta luta ter fim o mais rápido possível.
Desgraça - Não venha sobre minha alma outra vez.
Pedras - Não formem um coração em mim.
Canção - Ecoe aos meus ouvidos nesta noite.
Choro - Desça sobre minha face cansada.
Mentira - Se afaste de mim nesta hora.
Alegria - Eu não te quero, vá embora.
Verdade - Lentamente se apresente para mim.
Vastidão - Se lance dentro do mar.
Conto - Se distingua aos adversários.
Nero - Eu não necessito ser assim.
Você - termine esta batalha árdua agora, feche seus olhos, pode ir.

domingo, 13 de março de 2011

Reerguendo



" O destino não pode repor minha vida. Pois sombras assustadoras do meu passado, estão vivas. "

Aprendi a lidar com isto tudo desta vez. Retomei minha dor, e guardei no vazio.
Me esforcei ao máximo. Esforcei para que não me notasse nunca mais.
Me cobri. Coloquei uma máscara sobre essa minha face.
Uma máscara feliz. Tão diferente do que estava pelo meu interior.
Retraí todos os sentimentos que haviam nessa desgraçada.
Não manifestei uma palavra dita em voz alta, para que jamais pudesse me alcançar.
Mudei disfarçadamente.
Estava me inundando com razões embaraçosas, por completo.
Incapaz de fertilidade. Incapaz de tudo.
Estéril de si própria.
Impossibilitada de dar ou receber qualquer tipo de coisa.
Implorando pelo sangue, que não possui...
Suplicando por uma veia... Apenas uma veia... Uma veia, que ninguém nunca foi capaz de questionar:
-Qual? De o que? De quem?

" É apenas outro dia, a vergonha se foi. Duro é acreditar, que a deixei partir. "

sábado, 12 de março de 2011

Cansaço



Cansei de estar aqui o tempo todo.
Cansei de ficar servindo de capacho dos outros.
Cansei de ter medo de tudo.
Cansei de me prender.
Cansei de andar em luto.
Cansei de me perder.
Cansei de querer.
Cansei de não poder.
Cansei de existir.
Cansei de insistir.
Cansei de me magoar.
Cansei de respirar.
Cansei de me corroer.
Cansei de não vencer.
Cansei de ser a boa.
Cansei de ser ingênua.
Cansei dos teus maus tratos.
Cansei das tuas falhas.
Cansei de ser infantil.
Cansei de ser inútil.
Cansei de ser tua.
Cansei do teu resto que só me fere.

terça-feira, 8 de março de 2011

Piece of me



Dentro do meu espaço, vou escrevendo minhas insanidades [...]

Sou uma pessoa que tem acreditado em poucas coisas,
Não sou "ninguém", também não sou "alguém".
Não me defino por nenhum traço que tenha em meu rosto,
Não tenho sexo algum, minha sexualidade é incomum...
Acredito que o amor, possa nascer das pessoas livres,
E também das condenadas.
Acredito que um amor possa ser eterno,
Ao menos para um dos lados dos amantes,
Acredito que ele possa ser além da vida e da morte.
Só não acredito em convicção.
Não tenho crença alguma, nada pode me prender ao mundo tão vazio,
Onde as pessoas são vazias, são sujas...
Enquanto eu levo este véu petrificado,
Lá fora, eles agem com vingança vinda de uma parte obscura de seus corações.
Eu nunca acreditei que o amor pudesse vir a ser
Uma coisa passageira.
Já a paixão, possa ser que sim...
Paixão, algo tão carnal, tão humano... Um desejo.
Desejo de possuir o corpo do outro até o último gole.
Paixões hoje em dia, são avassaladoras,
Pelo menos, no meu mundo.
Já amores, neste meu universo,
São minorias... Na minha mente,
Eu levaria este amor enquanto aqui estivesse.
Ou, quem sabe, um dia... Até que houvesse um momento,
Em que pudesse se dissipar de vez...
Meus olhos estão secando todas as vezes em que uma lágrima desce,
Eu já não sei mais...
O que poderia fazer.
Só sei que continuo sendo apenas uma "pessoa", se é assim que posso ser chamada.
Alguém que nunca soube viver de mentiras. Comigo é verdade, ou nada.
Jamais te diria estar amando, ou me apaixonando, se isto não fosse real.
Nada sobre mim será revelado... Se receberes meu silêncio,
Não pense que o egoísmo ou o tédio está me invadindo,
Tenha certeza que é o momento mais verdadeiro que vem de mim.
Se receberes minha inquietação,
Me afague, e busque dentro do meu ser, algo para me descrever,
Enquanto isso... Penso que me trouxeram até aqui só para ver o que eu iria viver.
Enquanto isso... Meu coração agora jaz.