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segunda-feira, 11 de março de 2013
Metalinguagem: Animagrafia
Aqui, neste pequeno acervo
De pergaminhos empoeirados,
Estão escritas muitas histórias.
Nestes papiros amarelados
Jogados em prateleiras
Toscas de barro escuro,
Há marcas de muitas almas.
Nestes papéis espalhados
Há pessoas repletas de amor,
Anjos belíssimos que tentam homens,
Corvos assustadores que falam,
Humanos puros que sabem amar,
Há chuvas, frios imortais e lágrimas.
Nos pergaminhos estão contidos
Amores, desamores, ilusões
Guerreiros, sábios e loucos
Vampiros que se alimentam de sexo e
Mortais que caminham para aprender.
Aqui, neste pequeno grande acervo,
Muitas histórias foram contadas
Por muitas distintas almas.
Almas velhas e novas...
Almas descobertas ao acaso.
Aqui, neste pequeno acervo,
Um mundo foi formado.
O mundo sem um deus poderoso,
Mas de humanos onipotentes.
Neste mundo, criado por uma
Mente estranha e uma alma
Que ansiava por algo mais,
Estão um sem número de
Coisas estranhas e amadas...
* Imagem retirada de http://klimo.deviantart.com/art/butterfly-blue-27394250 *
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
O Guerreiro, O Menino e O Corvo
(Conto de um Aprendiz)
Era escuro, estrelado, nevoado. Não se via um palmo na frente do nariz naquele amplo cenário misterioso. O diálogo tão esperado finalmente se inicia.
-Mas você lembra como chegou aqui? Sabe a razão de estar aqui?
-Não, eu não me lembro. Não sei do que está falando.
-Qual é a primeira coisa que lembra? Qualquer coisa.
-Eu me lembro de um pássaro. Um pássaro grande - O Menino estende os braços para os lados e faz uma simulação de voo.
Uma troca de olhares silenciosa traz à mente do Guerreiro um clarão de memórias passadas.
-Será este O Corvo, pobre criança? – O Guerreiro analisa as manchas de sangue na roupa da criança
-É ele. Ele me arrepia com extrema escuridão. Ele é capaz de despir-me dos meus sonhos como ninguém. Ele levou consigo uma parte de mim. O corvo não levou a mim, ainda. O pôr-do-sol só me traz lembranças de quando uma batalha travada sempre valia a prata. Não foi oque hoje presenciamos neste campo devastado.
O Guerreiro se inclina com confiança, arranca um pedaço dos trapos queimados que usa e protege a ferida no peito da pobre criança. Diz a ele:
-Ele também arrancou meu coração. Mas todo meu fôlego está preso, junto a mim. Guardo comigo as chamas de uma guerra sem vencedores. A noite termina. Venha, meu caro. Tome deste fôlego, busque a realidade, busque a verdade no profundo dos seus pensamentos.
//
‘’Feche seus olhos e procure pelo transparecer, Desaparecer
Se desprenda do corvo que um dia arrancou seu coração
Esqueça e limpe-se do sangue de suas mais terríveis memórias
Mas de duas coisas eu peço com misericórdia que não se livre.
A clareza da lucidez e as queimaduras da experiência.’’
//
Quatro tons de cor resplandecem no céu, chamando a atenção do guerreiro:
Azul-vida;
Amarelo-inocência;
Vermelho-amor-próprio
E o Verde-esperança.
Mas só uma cor, lá no fundo do azul do céu profundo, chamou a atenção do menino. A união perfeita, a junção perfeita: o branco-espírito.
Tomou consigo aquela luz. O seu olhar, à beira mar, parecia acompanhar a cor do mar. Ele tem de ir embora. A noite cai em cor e se desfaz por completa. Como nunca antes visto, escurece. Aquela luz o chama, mas ao mesmo tempo incomoda seus olhos, que se fecham. O Pobre Menino é levado por tal luz para um infinito mar de expectativas e de renovação.
O espírito do aprendiz nunca esteve tão completo.
E foi naquele instante que a criança em mim nasceu novamente.
O Aprendiz
Meu Blog, Sepphia: http://sepphia.blogspot.com/
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